sábado, 31 de março de 2012

Delírio.

Talvez você sequer se lembre de mim. Mas eu estive lá, um dia. Isto não é tão importante agora. Por que seguimos protocolos de apresentações? Vocês, todos, me conhecem. Não conhecem? 

Não sei ao certo. Tenho conhecimento apenas do que é oculto sob densos véus. 

Eu os conheço, quase todos. Os maltrapilhos nas ruas, os que vivem de aparências, os gênios e os medíocres. Todos algum dia perderam-se de alguma forma. 

Acontece, eu acho. Sei como é. Você se desconecta, e de repente se transformou em um cardume de peixes dourados. Alguém corta suas asas, e o único passo possível depois disto, é transmutar-se em borboletas. 

O relógio badala perguntas insolúveis e percebe-se que é cedo demais. 

 Há uma caixinha de doce música no território dos quartos vazios.

As molduras dos espelhos estão suspensas por mãos de mortos-vivos.

No corredor de Mnemósine, tudo perde o sentido. 

Tudo isto é excessivamente restritivo. 

Cães ladram na noite, em companhia de sombrios seres.
Verdades são sussurradas e corações, partidos.
O rio conta segredos com a linguagem das labaredas.

Amplificações desnecessárias. O desprendimento gravita e graceja.

Um momento de delírio é necessário. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Do incompreensível

Não compreendo a dor dos rompimentos. Não compreendo este sofrimento auto-imposto depois da decisão do afastamento. É uma decisão...não é? Não é uma imposição do destino, como a morte.

Penso em escrever. Várias coisas.

Travo quando vejo a tela em branco do computador. Sinto-me diminuída.
Apenas sou imbatível quando com papel e caneta. Neste aspecto, sou antiquada.

Há uma certa mágica no movimento, no momento.
É por isto que sempre escrevo em papéis.
Mesmo soltos, desordenados, eles têm uma trajetória única.

Incompreensivelmente, paro.
E percebo, com essa clareza súbita, que não há mais nada a ser dito.
Não por hoje.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Frenesi

Desdobramento. Arrebatamento. Deserto. Assombro.
Temas fugidios. Cinzas no céu azul.
O outro. Outros mundos.

Este é o meio do caminho. Palavras e definições são desnecessárias. Neste território, não há espaço para significações ou re-significações.

As memórias, titânicas, são sugadas pelo buraco negro da re-invenção. O crucial torna-se desnecessário e pesado. O tempo tem o peso da inexistência.

Há uma caixinha de música no território dos quartos vazios.

As molduras dos espelhos estão suspensas por mãos de mortos-vivos.

No corredor de Mnemósine, tudo perde o sentido.

Cães ladram na noite, em companhia de sombrios seres.
Verdades são sussurradas e corações, partidos.
O rio conta segredos com a linguagem das labaredas.

Amplificações desnecessárias. O desprendimento gravita e graceja.