sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Do incompreensível

Não compreendo a dor dos rompimentos. Não compreendo este sofrimento auto-imposto depois da decisão do afastamento. É uma decisão...não é? Não é uma imposição do destino, como a morte.

Penso em escrever. Várias coisas.

Travo quando vejo a tela em branco do computador. Sinto-me diminuída.
Apenas sou imbatível quando com papel e caneta. Neste aspecto, sou antiquada.

Há uma certa mágica no movimento, no momento.
É por isto que sempre escrevo em papéis.
Mesmo soltos, desordenados, eles têm uma trajetória única.

Incompreensivelmente, paro.
E percebo, com essa clareza súbita, que não há mais nada a ser dito.
Não por hoje.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Frenesi

Desdobramento. Arrebatamento. Deserto. Assombro.
Temas fugidios. Cinzas no céu azul.
O outro. Outros mundos.

Este é o meio do caminho. Palavras e definições são desnecessárias. Neste território, não há espaço para significações ou re-significações.

As memórias, titânicas, são sugadas pelo buraco negro da re-invenção. O crucial torna-se desnecessário e pesado. O tempo tem o peso da inexistência.

Há uma caixinha de música no território dos quartos vazios.

As molduras dos espelhos estão suspensas por mãos de mortos-vivos.

No corredor de Mnemósine, tudo perde o sentido.

Cães ladram na noite, em companhia de sombrios seres.
Verdades são sussurradas e corações, partidos.
O rio conta segredos com a linguagem das labaredas.

Amplificações desnecessárias. O desprendimento gravita e graceja.